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sexta-feira, 8 de julho de 2011

[Walt Whitman] - "EU, ESPONTÂNEO"


[Walt Whitman] - "EU, ESPONTÂNEO" 

Eu, espontâneo, a Natureza.
O dia amante, o sol que sobe, o amigo com quem sou feliz,
O braço do amigo negligentemente sobre o meu ombro,
A encosta coberta de branco pelas flores da sorveira brava.
O mesmo no final do outono, os cambiantes de vermelho,amarelo,cas-
tanho claro, púrpura, e verde claro e escuro.
A rica colcha da erva, animais e pássaros, o talude íntimo para tratar, as
maçãs primitivas e os seixos,
Os belos fragmentos gotejando, a negligente enumeração de cada um 
conforme os vou recordando ou pensando,
Os verdadeiros poemas( aquilo a que chamamos poemas são simples-
mente imagens),
Os poemas da intimidade da noite, e de homens como eu,
Este poema que se inclina tímido e escondido, que trago sempre comi-
go e que todos os homens trazem
(Sabei de uma vez por todas, confesso-o de propósito, que onde quer
que se encontrem homens como eu, aí se escondem os
nossos poemas virís e enérgicos),
Pensamentos de amor, suco de amor, odor de amor, docilidade de amor,
trepadeiras de amor e ascenção da seiva,
Braços e mãos de amor, lábios e mãos de amor, polegar fálico de amor, seios de
amor, ventres comprimidos e unidos com amor,
Terra de casto amor, vida que é somente vida depois do amor,
O corpo do meu amor, o corpo da mulher que amo, o corpo do homem,
o corpo da terra,
As amenas brisas da manhã que sopram de sudoeste,
A abelha selvagem e peluda que murmura e suspira em todos os sentidos,
que se prende à flor feminina toda aberta, se curva sobre
ela com pernas firmes e amorosas, tira dela a sua energia,
e mantém-se trémula e firme até ficar satisfeita;
a humidade dos bosques durante as horas da manhã,
Duas pessoas adormecidas que à noite, ficam juntas, uma com o braço
atravessado e abaixo da cintura da outra,
O cheiro das maçãs, aromas de sálvia, hortelã e casca de vidoeiro esmagadas,
As ansiedades do rapaz, o entusiasmo e a força ao confiar-me o que estava
a sonhar, A folha morta que rodopia num turbilhão em espiral e que cai no solo 

imóvel e satisfeita,
Os aguilhões ainda por formar que com o que vejo,pessoas e objectos,
me aguilhoam,
O meu próprio aguilhão saliente que me aguilhoa mais do que qualquer outra
pessoa,
Os dois irmãos sensíveis, redondos e suspensos, apenas destinados a serem alitocados intímamente por privilegiados.
Saudades de você meu amor. S2.

[Walt Whitman] - Diário de uma paixão

[Walt Whitman] - Diário de uma paixão



"QUANDO OUVI AO FINAL DO DIA"


Quando ouvi ao final do dia que meu nome fora recebido com aplausos no capitólio, mesmo assim não foi uma noite feliz a que se seguiu;

E, antes, quando eu farreava, ou quando meus planos se realizavam, ainda assim eu não me alegrava,

Mas no dia em que, me levantei da cama ao amanhecer, em perfeita saúde, refeito, cantando, respirando o hálito maduro do outono,

Quando vi a lua cheia empalidecer no oeste e desaparecer na luz da manhã,

Quando andei sozinho pela praia e, despido, me banhei, rindo com as águas geladas, e vi o sol nascer,

E quando pensei que minha querida amiga, minha amante, já estava a caminho, aí sim eu era feliz,

aí sim o respirar me pareceu mais doce, e durante todo o dia o alimento me nutriu melhor, e o lindo dia transcorreu perfeito,

E veio o seguinte com igual alegria, e no terceiro, ao anoitecer, chegou minha amiga,

E naquela noite, quando tudo estava quieto, ouvi as águas fluindo lenta e continuamente ao longo da costa,

Ouvi o murmúrio suave do líquido e das areias, como se se dirigissem a mim num sussurro, a me felicitar,

Pois quem eu mais amava dormia ao meu lado sob o mesmo teto na noite fria,

Na quietude do luar de outono sua face se inclinava para mim,

E o braço descansava suavemente sobre meu peito – e naquela noite eu estava feliz.